o crochet da avó, o crochet da mãe

Tenho 42 anos e por todos estes anos vi, não, vejo a minha mãe sempre dedicada ao seu crochet. Nunca a vi sentada no sofá sem fazer nada, aliás, raramente a vejo sentada num sofá. Sempre sentada à mesa, de agulha e linha na mão seguindo um esquema de uma revista, da “revista azul”. Abertos e fechados, abertos e fechados. Aranhas e ponto cruzado.  Conjuntos de quarto, naperons, toalhas de camilha, toalhas de mesa, colchas, bicos para cortinas, panos de cozinha. Branco e cru, não bege, cru. Branco e cru, sempre.
No meio deste reportório, lembrava-me de a ver  fazer umas almofadas em forma de coração para quartos de casais em lua-de-mel. Uma piroseira. Mas, porque não para quartos de meninas pequeninas dadas aos corações? Pensei, eu. Foi o que lhe pedi, para ressuscitar esse modelo antigo e fazê-lo para a sua neta, num lindo cor-de-rosa vintage, numa linha antiga vinda do antigo armazém das linhas Âncora. O resultado é o que vêem na fotografia. A neta adorou e eu abandonei a ideia de piroseira.  Numa decoração simples fica bem, denota esmero, cuidado. Uma reminiscência de outros tempos. No contexto certo, a almofada é linda.
Outro pedido, também já satisfeito, foi o naperom (este nome….) para a minha mesa de jantar. Outra piroseira, achava eu há uns tempos atrás. Mas o meu seria verde, verde escuro. “Verde?! Para a sala?!” Pois, e porque não? Verde, a cor que deu modernidade a uma peça que em branco só estaria bem na casa da avó ou num apartamento kitsch.
Lindos revivalismos que aconchegam a casa com memórias e afectos.

 

tutorial do XAILE SIMPLES

Este é o mesmo desenho do xaile do post anterior, mas feito com uma linha mais grossa, a tal que nos dá a vantagem de conseguir fazer uma peça num dia. E num dia este xaile foi feito, mesmo a tempo de o estrear num jantar de aniversário. Como já referi num post antigo (2013!!), são vantagens de “saber fazer”.

Também no post anterior, partilhei o esquema feito por mim deste simples xaile, mas deixo agora o tutorial, passo a passo, carreira a carreira. Julgo que com as indicações escritas e as fotografias será fácil de seguir. É mesmo simples. Fácil para quem se inicia no crochet ou para quem, simplesmente, quer um xaile rápido de se fazer. Um bom esquema para um primeiro xaile.

Bom trabalho!

TUTORIAL XAILE SIMPLES

Abreviaturas e termos:
Ponto Cadeia: pc; Ponto Alto: pa; Ponto Baixo: pb;
Cordão: conjunto de pontos cadeia; Leque: conjunto de 2pa+1pc+2pa
Desenho deste esquema: conjunto de 4 leques que formam um losango

carreira 1: 8pc seguido de 1pa dado no primeiro pc feito.

carreira 2: vira o crochet; 8 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1pa dado no 3º pc do início da carreira abaixo.

carreira 3: vira o crochet; 8 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 1 leque dado no pb da carreira abaixo, seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pa dado no 3º pc do início da carreira abaixo.

carreira 4: vira o crochet; 8 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 1 leque dado no pb da carreira abaixo, seguido de 1 pb dado no pc do leque da carreira abaixo; 1 leque dado no pb da carreira abaixo, seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pa dado no 3º pc do início da carreira abaixo.

carreira 5: vira o crochet; 8 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pb dado no pc do leque da carreira abaixo; 1 leque dado no pb da carreira abaixo, seguido de 1 pb dado dado no pc do leque da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pa dado no 3º pc do início da carreira abaixo.

carreira 6: uma carreira só de pc para isolar o desenho – 5 pc seguido de 1 pb dados nos respectivos sítios da carreira abaixo.

carreira 7: terminado um desenho, feita a carreira só de cordão, inicia-se um novo conjunto de desenhos. Os desenhos de uma carreira intervalam com os da anteriores.

carreira 12: para exemplo de como vai crescendo o crochet, avançamos para a carreira nº12, onde vemos a alternância dos desenhos e como em cada carreira vai surgindo mais um, e só um, conjunto de leques.

 

slow crochet

Da linha grossa à linha fina vai a distância da perseverança. Com a primeira depressa chegamos ao destino, à peça concluída. Com a segunda tudo é devagar, mas tudo é mais gratificante porque nos superamos a cada volta que concluímos. Uma define o comum, a outra o trabalhoso, o dedicado e o delicado. Não se faz uma peça de crochet em linha 12 ou 20 num dia. O trabalho é mais atento, é preciso mais cuidado com a agulha, os olhos trabalham mais. Vemos o novelo com uma duração quase infinita e o crescimento quase nulo do crochet que vai saindo da agulha. Mas sabemos que a peça final será linda e de valor inestimável, por isso persistimos. Com esta linha mais fina, diz a tradição, faz-se (fazia-se?) peças essencialmente decorativas. Quem as faz é para si ou para oferecer, raramente para vender porque nunca será bem pago.
Numa altura em que o crochet que faço é, precisamente, para consumo interno, é a este crochet que me tenho dedicado, ao lento, ou, apropriando-me de termos modernos, ao slow crochet. Estou a fazer um xaile em linho para o próximo verão. Já o imagino, tão lindo que vai ficar! O esquema tirei-o deste livro , adaptando-o para o modelo triangular de um xaile. É simples, mas nesta primeira tentativa não quis abusar entrando num intrincado esquema que me vencesse. E simples é sempre uma boa solução.

2018, dez anos e outro interesse maior

Acima de tudo, o meu lema foi saber que a força mais poderosa é estar interessado em alguma coisa. Pode ser a Dinastia Ming, o que quer que seja, se estiveres interessado o suficiente para estudar e aprofundar, então não corres perigo. Se te prendes a qualquer coisa – pode ser arqueologia, música, desporto – que seja maior que tu próprio, não corres perigo. O terrível é quando as pessoas se prendem a um nada, ao vazio., George Steiner

 

Estas palavras de George Steiner não suscitam, para mim, qualquer dúvida. Ter um propósito na vida levanta-nos da cadeira, impele-nos à acção, ocupa-nos. É o interesse como mestre da vida, parafraseando Júlio Dinis. Um interesse que pode ser concreto e objectivo mas que, quando genuíno e abnegado,  sempre nos conduz a uma espécie de salvação espiritual.

A My Beloved Craft nasceu desse interesse necessário para o preenchimento dos dias. Veio a possibilidade do comércio, mas nunca evoluiu muito nesse sentido porque, para além da minha falta de jeito (ou vontade) para vender, era um interesse que não se adequava às pressões e obrigações do materialismo. Acima de tudo, persisti pelo gosto de constatar o Belo em cada trabalho de crochet, em cada fotografia que dali surgia. Uma espécie de realização pessoal, também.

Este ano a My Beloved Craft fez dez anos, a marca e o blog, que já foi loja também. E ter um blog com dez anos é motivo de orgulho, não desmesurado, mas algum orgulho, o suficiente para não deixá-lo morrer e ao fim de mais de um ano vir aqui assinalar o número 2018 na lista dos anos.

A razão pela qual este ano, que deveria ser de grande actividade comemorativa, fosse a copiar as modas efusivas das redes, o blog esteve hibernado foi terem surgido outros projectos, outros interesses que são, neste momento, maiores que o blog e o crochet. Prioridades que se estabelecem quando se aceitam as 24 horas do dia, um modo de ser e o facto de ter três filhos, não os querer perder de vista e ser activa na sua educação.

Assim, e não sabendo com que linhas se fará o futuro, mas querendo que ele tenha memória, virei aqui sempre que o espírito bloguista pairar sobre a minha cabeça e o bichinho das agulhas morder os dedos.

E, sendo próprio da época, desejo a todos a possibilidade da descoberta de um interesse maior, regenerador e edificante neste novo ano que aí vem. Descoberta, palavra bonita que nos diz que tudo já existe, só temos de saber des-tapar.

Bom ano para todos.

 

perfeita chuva miudinha

Estamos no outono. Já estamos no outono. Ou, até que enfim o outono!
Tempo, essa estranha entidade que muda de comprimento conforme mudamos nós os nossos estados de espírito. Conforme mudamos nós a forma como ocupamos esse tempo. Às vezes aconchegamo-nos bem dentro dele, às vezes ficamos com os pés de fora, ansiosos que ele estique as pontas. Queremo-lo elástico, que seja feito à nossa feição. Tempo é tempo, “dado a todos em igual medida”, li por estes dias. Ninguém tem mais ou menos tempo, seja rico ou pobre, criança ou adulto, todos têm o mesmo tempo. Mas quem sabe usar esse tempo ganha vida, aumentamos a nossa vida ganhando tempo.

O que parece que ficou esquecido no tempo foi este blog, não é? Quantos meses?
Digamos que andei a ganhar vida, ganhando o tempo em que deixei um pouco de lado os crochets e os post para este blog.
Verão é tempo precioso! O tempo das minhas vitaminas feitas de sol, água, sal, areia, campo, árvores, vento, ócio! Tempo do não quero saber, agora não! vamos comer um gelado. Maravilhoso tempo de verão, por excelência, o tempo da pausa.

E depressa aqui chegamos, ao bonito tempo em que a natureza se prepara para o recolhimento. É bonito o outono. Que cores tem! Ela, a natureza, a preparar descanso e nós a refazer agendas. Uns a revitalizar-se outros revitalizados.

Hoje é domingo e está uma chuva miudinha lá fora. Está perfeito.

 

felicidade na urban jungle




A felicidade não é fácil de conseguir, é muito difícil encontrá-la em nós, e é impossível encontrá-la fora de nós.
Chamfort

Andamos todos à procura do mesmo ou a viver com o mesmo objectivo, ser feliz.
E não é essa a melhor meta para a qual correr?
Também sabemos que a felicidade não está nessa meta mas no percurso que fazemos, em toda a caminhada que colhe pequenos feitos, conquistas, afectos e vivências.
Mas, então, porque continuam os dias a escorrer das mãos, perdendo essa matéria fina e escorregadia de que é feita a felicidade, a constatação do simples? Está a felicidade apenas na gratidão de cada dia? Estou certa que sim, também. Também? Sim, também porque, o lado prático da felicidade é que ela deve ser um acto consciente. Se sabemos o que nos faz feliz, ou se já sabemos o que nos faz feliz, não deveremos recorrer mais amiúde a essas ferramentas de felicidade?

Fica aqui o tema para desenvolvimento próprio, suas constatações e auto-análises.

Plantas. Plantas da minha felicidade.
Se estou em modo lunar, elas são um bom saco de porrada. Regar, cuidar, tocar, olhar. Demorar em cuidados e fotografias e o dia já está ganho. Se estou mais solar que o próprio sol são também elas a boa desculpa para ser displicente com tudo o resto.  Alegro-me, por isso, saber que viraram moda e perco-me vendo tantas fotografias de casas apinhadas de plantas que se enquadram na maravilhosa hashtag #urbanjungle. É como se encontrasse uma linguagem comum nos quatro cantos do mundo, afinal nada de que já não estivesse intrínseco em cada um de nós, o apelo telúrico da mãe natureza. À multiplicação feita em frascos com os pequenos rebentos juntam-se sempre novas plantas que teimam em chamar por mim como que asfixiadas nas lojas, a implorar amor, obrigando-me lentamente a ser uma plant hoarder digna de muitos repins no pinterest. Não digo que vá chegar a maravilhosos exageros vistos no instagram mas não prometo não pendurar uma enorme monstera no tecto do meu quarto. É que neste ítem de felicidade não sou só eu a por um visto, o marido também.

E se à selva nos liga um cordão umbilical, criar uma em nossa casa é efectivamente um passo para a pacificação do espírito que quer sempre a serenidade de um colo de mãe. A mãe natureza.

xailes depois da pausa

Não sei se vos acontece o mesmo mas comigo, de tempos a tempos, dá-me uma vontade enorme de por de lado as redes sociais e todas estas coisas que me tira espaço e mundo. Reposto o equilíbrio, volto para vos anunciar mais um workshop, o tal dos Xailes em Crochet.

O Atelier My Beloved Craft já conta com uma boa meia dúzia de workshops feitos com descontracção e sem o compromisso de um negócio, havendo espaço para ser mais que um workshop. É encontro de pessoas com os mesmos interesses que querem partilhar os encantos da vida boa, a que não tem pressas, a que se vive lentamente, a que permite um sofá, linhas, agulhas e muita conversa.

Dia 29 de abril a reunião volta a repetir-se para falarmos de xailes e de como podem ser cheios de estilo e modernidade. Três horas, das 15h às 18h, acompanhadas, claro está, de bolo e chá (se calhar gelado, não?) e muitos esquemas e fotos e sugestões e outras coisas mais.

Em maio há celebração, oito anos, oito anos de My Beloved Craft. E vamos também mudar de agulhas, pode ser?

Um bom fim de semana para todos!

unity in diversity

Unity in diversity é a frase que se lê ao fundo e assistir a estes vídeos é ser transportada para esse ideal de liberdade máxima, sermos só um na diversidade, unidos pelo respeito, tolerância e amor.
Eu sou assim complexa, onde há só um vídeo de dança eu vejo logo um mundo mágico onde os  jovens escolhem uma arte para se expressar e ser maior, onde os rapazes não têm de ser másculos e podem mostrar sensibilidade e delicadeza, onde não importam as hierarquias ou posses, onde cada um se sabe transformar pelo belo e só isso importa, preencher cada momento da vida com o melhor que há em nós, nem que por minutos.
Parafraseando o personagem, poesia, música, dança, beleza, romance, amor!… é para isso que nos mantemos vivos!

Procura o que te mantém vivo!

prática perfeita




Nada se aprende num dia.
Mesmo o talento precisa de prática. A perfeição chega com a perseverança, com o erro, com pequenas conquistas. E ainda assim nunca se chega ao fim, há sempre o que aprender. Mas é este processo contínuo de aprendizagem, de aperfeiçoamento que nos cativa. É esta conquista permanente que faz crescer o amor por um ofício.  E é apoiada nesta certeza que a primeira coisa que digo a quem comigo quer aprender a fazer crochet é que não vão sair de um workshop a saber fazer crochet, nem provavelmente o saberão dali a uma semana ou mês. Tudo o que vão conseguir é aperfeiçoar a forma de pegar a agulha, a forma de lidar com a linha nos dedos, conseguir quase a mesma tensão em todas os pontos… E isto tudo se perseverarem, se não desistem, se não se sentirem derrotadas por tão simples instrumentos, uma agulha e uma linha.

A exigência é companheira de um mestre.
Não querendo chamar esse título para mim mas sim querendo ser a melhor transmissora de conhecimento que possa ser, tenho-me empenhado em conhecer o que está escrito sobre crochet e seus pontos, as formas de os representar, de os fazer e suas variações, as formas de os chamar. Saber fazer é uma coisa, saber ensinar é outra e não sei o que será mais difícil. Sei que ao ensinar também aprendo e no final de uma aula a minha satisfação é igual à de quem aprendeu.

E se dúvidas haviam fica a constatação: há de facto um vírus que se pega e não nos larga, um vírus chamado “saber fazer”. No final de contas, o que nos satisfaz e realiza é a criação, a obra que nasce das nossas mãos, da nossa criatividade, das nossas concepções, seja em que área for, seja da forma for. O homem é-o pela criação.

 

iniciação



Sábado, dia 11, está marcado encontro para as principiantes e já só há uma vaga!
Não adie mais essa vontade de ocupar as suas mãos, elas foram feitas para trabalhar e criar o belo. E belo é tudo o que se pode criar com uma agulha e linha. Os primeiros passos são pequenos mas se perseverar encontrará no crochet um hobbie para a vida.
Desta vez o único requisito é a vontade de aprender porque tudo o resto é oferta da casa, linha, agulha e manual com instruções dos primeiros pontos a aprender e um pequeno projecto para fazer em casa. São €15 que podem ser pagos por transferência bancário ou por multibanco. Em qualquer um dos casos, entre em contacto comigo através de email lara@mybelovedcraft.com
Mais uma vez as portas da minha casa, do meu pequeno atelier, estarão abertas para vos receber e garanto-vos que aqui a primavera está no seu pleno, não há chuva, não há vento, só boas energias!

Até já!

Guardar

Guardar

workshop golas crochet

WORKSHOP - GOLAS_mybelovedcraftgolden_stitch_mybelovedcraft

Já vamos em contagem decrescente para o Workshop das Golas de Crochet e ainda cá não tinha vindo dar contas disso mesmo! Mas como quase todos que me acompanham andam também pelas bandas do facebook, está tudo tranquilo.
E é já no próximo sábado, dia 21, que vou ensinar, melhor, explicar a quem já faz crochet como faço as minhas golas, as golas em crochet sem emendas, circulares e em ponto rendado. O workshop começa às 15h e vai até às 18h. Não precisa trazer nada, tenho cá todo o material necessário. Vamos fazer duas mini golas e perceber quais os melhores pontos a usar e como ler os tais gráficos de crochet. A barriga não ficará vazia, pois claro, o bolo e chazinho estão garantidos. Pode ser de maçã e canela?
Ficou empolgado? Inscreva-se! Envie um email para lara@mybelovedcraft.com ou se preferir envie mensagem pela página do facebook.

Entretanto, golas de crochet não é o que ando a fazer mas o ponto que veem na foto, naquela linha linda! dourada!, bem que poderia ser utilizado numa. Depois dou-vos o gráfico.

Até sábado! Inscreva-se!

Ah! Se os gatos deixarem podem ainda posar com eles usando as golas que fizerem.

golas em crochet para todos

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Não sei se o frio chegará ou não, por aqui não anda, é certo. O que também é certo é que as golas em crochet vieram para ficar, são práticas, quentes e aconchegantes e o melhor é ter uma sempre pronta caso o frio se decida a cumprir calendário.
Todos os anos tenho que dedicar este período a fazê-las e este ano não é excepção, só não estão na loja porque ando ao gosto do freguês, só encomendas.
Entretanto, e a pedido de várias crocheteiras, estou a programar um workshop de golas em crochet! Isso. Quem quer saber como fazer uma gola rendada sem costuras, ao estilo My Beloved Craft, poderá fazer o primeiro workshop do próximo ano. Workshop onde vai também aprender a ler gráficos e a escolher os melhores pontos de crochet a aplicar na técnica circular para fazer as mais lindas golas do “handmade”. A ser usadas por humanos ou gatos. Ou cães.

Para já fica só o anúncio para que reserve já o sábado 14 de janeiro.

E como ainda faltam uns dias para o Natal, vai ainda a tempo de encomendar a gola de crochet da My Beloved Craft que aquela amiga tanto queria.

Para mais informações e encomendas envie um email  para lara@mybelovedcraft
Obrigada!

 

workshop flocos de neve

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É já no próximo sábado que as portas do Atelier My Beloved Craft se vão abrir pela primeira vez.
Imbuídos no espírito natalício, vamos fazer flocos de neve em crochet e estrelas brilhantes em crochet.
Este workshop destina-se a quem já sabe fazer crochet, o mínimo, cordão, ponto alto, ponto baixo…. mas não sabe ler gráficos, não tem grande prática em crochet circular, não conhece simbologia utilizada ou simplesmente não consegue fazer um floco digno de ir parar aos raminhos verdinhos do pinheirinho. E se já sabe isto tudo mas apetece-lhe uma tarde bem passada, bem conversada e acompanhada de bolinho e chá, inscreva-se!

O workshop flocos de neve em crochet começará às 15h e tem a duração de 3 horas. Tem o custo de €15 e inclui a linha e brochura com esquemas dos flocos e simbologia de crochet usada. Não precisa trazer agulha, eu empresto. Vamos utilizar dois tipos de fio e falar e demonstrar como deverá esticar os flocos e endurecê-los para que fiquem sempre bonitos na árvore de natal.

Serão aceites apenas um máximo de 5 inscrições e um mínimo de duas. Para se inscrever envie um email para lara@mybelovedcraft.com ou por mensagem na página do facebook. O pagamento poderá ser feito via multibanco.

desceu mas melhorou

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O atelier desceu do sótão e por quatro meses deixou de existir.
Tudo em lume brando se foi fazendo e agora está pronto. Ganhou uma divisão própria. Roubou a estante aos livros, o aparador à sala, umas coisas daqui outras dali e está com o aconchego próprio dos lugares feitos com carinho, com bocados de vivenças e pertenças. É um lugar para trabalhar, para inspirar, para reunir e conversar, que eu gosto de conversar!, para guardar e refugiar. É um lugar cantinho. Um cantinho, que bom!
E começa aqui o balanço de um ano que acabando inicia os projectos de um próximo que já promete.
De tempos a tempos estas portas abrir-se-ão aos que comigo gostam de linhas, agulhas, chá, conversa e umas quantas coisas mais.
Sejam bem-vindos!

em tempo real

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Não sou nada dada a saudosismos ou à costumeira lamentação no-meu-tempo-é-que-era mas ontem passei um bom bocado ao reler uma data de postais do século passado. Do século passado.
Claro que não me deu para ir buscá-los porque estava com muitas saudades de amigos da juventude mas até acabei porque ganhá-las e ficar com o tal no-meu-tempo-é-que-era na boca… Enfim.
O que tentei fazer foi explicar ao meu filho o que era um postal, tinha de escrever um como trabalho de casa, e o que acabei por conseguir foi receber um olhar de perplexidade e quase pena, “e ficavas à espera uma semana para saber por onde andavam os teus amigos?!”

Em vinte anos tudo mudou. Parece tão remota a ideia de não haver telemóveis ou internet. Ao olhar do meu filho, que me atribuiu uma idade perto da jurássica, o que penso é que é preciso andar, não ficar parado e processar rapidamente para se entender e aceitar uma nova era em que tudo é questionado e reinventado.
Se em família se faz caminho devagar, fora é preciso saber apanhar o comboio que não pára e ainda carregar o que acreditamos estar certo e escolher o caminho que vai dar certo. Sem o conhecer.
São extraordinários estes tempos. Se o conseguirmos passar até ao fim vamos ter muito que contar. Estamos a viver um manual inteiro de história universal.

Cheguei ainda à conclusão que os postais vindos de Amesterdão são os mais bonitos, que tinha amigos com lápis azul mas todos com muito sentido de humor e o Cais do Rock como qualquer festival de topo tinha o seu postal. Éramos uns postais, nunca cromos.

 

um mais um que são cinco

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Não ando perdida no ócio do último post embora viver a vida lentamente possa parecer preguiça nos dias de hoje. Ando a ver os meus filhos crescer e a ser mãe com eles. A juntar palhas para o ninho ser sempre conforto e segurança, o lugar onde tudo começa, de onde tudo parte.
São tempos diferentes estes, por aqui também. A casa cresceu para dar espaço ao um mais um que são cinco. Está preparada para construir memórias de afectos, os únicos tesouros que se guarda e carrega até ao fim. Um pequeno mundo que esperamos ser capaz de fortalecer e edificar carácteres capazes de entrar em outros pequenos mundos e espalhar a alegria, a felicidade de uma vida simples e serena mas que suporta a força necessária para querer mudar o mundo.
Na serenidade dos dias calmos e simples há mais lugar para a capacidade infantil e magnânima de tudo nos encantar e sorrir. E maravilhoso é encontrar amigos que percebem que  tudo o que nos importa que nos mova é a felicidade de uma tropa chamada carrossel que sobe e desce escadas, salta de sofá em sofá, gritam, cantam, choram mas quase sempre sorriem porque estão seguros nesta modernidade antiga chamada família numerosa. Obrigada a esses que mandam mensagens muito cedo porque não conseguem dormir de coração tão cheio que estão. E não importa com que tipo de amor nem como o vamos encher mas de coração cheio a vida vai quase sempre dando certo. Que não pare de me olhar para pensar e crescer. Que não pare de te olhar para partilhar e construir. É isso aí.

Nas fotografias: Enciclopédia dos Pais Modernos de 1969. Caixa de pequenos novelos com a capacidade de me fascinar sempre que a abro. Sou feita de pequenas maravilhas como este gif que a minha cunhada me mandou por aqui e eu obedeci.

via GIPHY

 

apologia ao ócio

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Férias é um estado de espírito e não é por estas se terem acabado que o vamos perder. Cultivar o ócio ajuda a aligeirar os dias e até a compreendê-los melhor. Parados damos tempo à calma, a melhores pensamentos, a melhores ponderações, o trabalho que se segue até se desenrola melhor porque parados conseguimos libertar desconfortos presos à rotina diária do ter que fazer.
A sabedoria habita um corpo parado e deve ter sido por isso que António Alçada Baptista muitas vezes repetiu “devo o que sou ao ócio”.
Ler a Apologia ao Ócio de Robert Louis Stevenson pode ser uma ajuda para melhor compreender quem nos dias de hoje se atreve a tal estado do corpo e da alma porque em 1877, data desta apologia, há 140 aproximadamente, já a sociedade vinha na senda dos famigerados workaholics.

Entre um pensamento e outro vai-se trabalhando, voltando a velhos trabalhos, ensaiando outros novos e congelando alguma beleza em fotografias.

E posto isto, diz que na Suécia, esse país de malandros, a jornada de trabalho foi diminuída para 6 horas tendo-se chegado à evidente evidência que a produtividade aumentou…..

Um bom fim de semana para todos!

tutorial do pequeno luxo

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Em seis voltas se faz a roseta utilizada no pequeno luxo do post anterior. De forma simples e para quem já sabe fazer crochet, o tutorial:

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1ª volta 6 de cordão

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2ª volta 8 pontos baixos

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3ª volta  2 pontos baixos em cada ponto baixo da volta anterior

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4ª volta um ponto alto em cada ponto baixo da volta anterior separados por um de cordão

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5ª volta um grupo 3 pontos altos fechados na mesma laçada feitos no cordão da volta anterior, separados por 3 de cordão

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6ª volta 1 ponto baixo no espaço de crodão da volta anterior
5 de cordão
1 ponto baixo no espaço seguinte
5 pontos altos-5 de cordão-5 pontos altos no espaço seguinte

repete a sequência 4 vezes até completar os 16 espaços da volta completa e formar, assim, os 4 cantos do quadrado

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as rosetas de crochet unem-se nos 5 pontos de cordão, cantos mais dois em cada lado. Esta união a outro quadrado é feita conforme se vai fazendo a última volta: faz-se 2 de cordão, o 3º apanha o quadrado a unir e  volta-se a fazer mais 2 de cordão para voltar ao quadrado que se está a trabalhar.

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Como disse, este tutorial é para quem já sabe crochet e não precisa de explicações extras para o tipos de pontos e forma como se faz o crochet circular mas estou disponível, com muito gosto,  para essas explicações através do email ou chat do facebook.

Bom trabalho!

pequeno luxo

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Finalmente cedi à tentação de conhecer a lã Beiroa da Rosa Pomar. Uma tentação porque não é barata. Uma tentação porque o resultado final será um pequeno luxo. Mas é aqui que a ideia me agarrou, ter uma bela peça feita por mim com o que de melhor se faz em Portugal, uma peça que há-de continuar nas mãos da próxima geração como se um pequeno tesouro se tratasse, assim espero.
Não quero ter uma meia dúzia de colchas para trocar todas as semanas, basta me uma que dure muito tempo que seja de boa qualidade e bonita, aliás como em tudo o resto, pouco mas bom e que dure, muito! Uma que acumule todas as histórias da casa e que se nos entre pela memória adentro criando afectos, laços. A mesma intenção aplicada à manta do Vasco e da Clara, a mesma intenção que aplicarei na do Tomás.
Fiz uns quatro ou cinco quadrados até chegar a este que aqui vos mostro. Não queria os tradicionais granny squares cheio de cores que proliferam por essa net fora. Apesar de me ter apaixonado pela manta da Rosa, queria um que fosse mais lacy, rendado, mais a haver com o que faço. Este é simples, muito visto mas eu gosto muito dele e para o efeito é perfeito, nem muito rendado nem muito fechado (o que é bom porque não gasta muita linha).
Quanto à cor, comecei por comprar 3 meadas todas dentro da mesma tonalidade para experimentar a linha e as conjugações mas fui fiel ao meu gosto e acabei por escolher uma só cor, claro. Uma cor que ninguém sabe muito bem o nome, é dessas cores que eu gosto.
Amanhã chegam mais 6 meadas. E não vai a missa em metade!

Durante este dias volto aqui para publicar um tutorial desta roseta.