perfeita chuva miudinha

Estamos no outono. Já estamos no outono. Ou, até que enfim o outono!
Tempo, essa estranha entidade que muda de comprimento conforme mudamos nós os nossos estados de espírito. Conforme mudamos nós a forma como ocupamos esse tempo. Às vezes aconchegamo-nos bem dentro dele, às vezes ficamos com os pés de fora, ansiosos que ele estique as pontas. Queremo-lo elástico, que seja feito à nossa feição. Tempo é tempo, “dado a todos em igual medida”, li por estes dias. Ninguém tem mais ou menos tempo, seja rico ou pobre, criança ou adulto, todos têm o mesmo tempo. Mas quem sabe usar esse tempo ganha vida, aumentamos a nossa vida ganhando tempo.

O que parece que ficou esquecido no tempo foi este blog, não é? Quantos meses?
Digamos que andei a ganhar vida, ganhando o tempo em que deixei um pouco de lado os crochets e os post para este blog.
Verão é tempo precioso! O tempo das minhas vitaminas feitas de sol, água, sal, areia, campo, árvores, vento, ócio! Tempo do não quero saber, agora não! vamos comer um gelado. Maravilhoso tempo de verão, por excelência, o tempo da pausa.

E depressa aqui chegamos, ao bonito tempo em que a natureza se prepara para o recolhimento. É bonito o outono. Que cores tem! Ela, a natureza, a preparar descanso e nós a refazer agendas. Uns a revitalizar-se outros revitalizados.

Hoje é domingo e está uma chuva miudinha lá fora. Está perfeito.

 

felicidade na urban jungle




A felicidade não é fácil de conseguir, é muito difícil encontrá-la em nós, e é impossível encontrá-la fora de nós.
Chamfort

Andamos todos à procura do mesmo ou a viver com o mesmo objectivo, ser feliz.
E não é essa a melhor meta para a qual correr?
Também sabemos que a felicidade não está nessa meta mas no percurso que fazemos, em toda a caminhada que colhe pequenos feitos, conquistas, afectos e vivências.
Mas, então, porque continuam os dias a escorrer das mãos, perdendo essa matéria fina e escorregadia de que é feita a felicidade, a constatação do simples? Está a felicidade apenas na gratidão de cada dia? Estou certa que sim, também. Também? Sim, também porque, o lado prático da felicidade é que ela deve ser um acto consciente. Se sabemos o que nos faz feliz, ou se já sabemos o que nos faz feliz, não deveremos recorrer mais amiúde a essas ferramentas de felicidade?

Fica aqui o tema para desenvolvimento próprio, suas constatações e auto-análises.

Plantas. Plantas da minha felicidade.
Se estou em modo lunar, elas são um bom saco de porrada. Regar, cuidar, tocar, olhar. Demorar em cuidados e fotografias e o dia já está ganho. Se estou mais solar que o próprio sol são também elas a boa desculpa para ser displicente com tudo o resto.  Alegro-me, por isso, saber que viraram moda e perco-me vendo tantas fotografias de casas apinhadas de plantas que se enquadram na maravilhosa hashtag #urbanjungle. É como se encontrasse uma linguagem comum nos quatro cantos do mundo, afinal nada de que já não estivesse intrínseco em cada um de nós, o apelo telúrico da mãe natureza. À multiplicação feita em frascos com os pequenos rebentos juntam-se sempre novas plantas que teimam em chamar por mim como que asfixiadas nas lojas, a implorar amor, obrigando-me lentamente a ser uma plant hoarder digna de muitos repins no pinterest. Não digo que vá chegar a maravilhosos exageros vistos no instagram mas não prometo não pendurar uma enorme monstera no tecto do meu quarto. É que neste ítem de felicidade não sou só eu a por um visto, o marido também.

E se à selva nos liga um cordão umbilical, criar uma em nossa casa é efectivamente um passo para a pacificação do espírito que quer sempre a serenidade de um colo de mãe. A mãe natureza.

xailes depois da pausa

Não sei se vos acontece o mesmo mas comigo, de tempos a tempos, dá-me uma vontade enorme de por de lado as redes sociais e todas estas coisas que me tira espaço e mundo. Reposto o equilíbrio, volto para vos anunciar mais um workshop, o tal dos Xailes em Crochet.

O Atelier My Beloved Craft já conta com uma boa meia dúzia de workshops feitos com descontracção e sem o compromisso de um negócio, havendo espaço para ser mais que um workshop. É encontro de pessoas com os mesmos interesses que querem partilhar os encantos da vida boa, a que não tem pressas, a que se vive lentamente, a que permite um sofá, linhas, agulhas e muita conversa.

Dia 29 de abril a reunião volta a repetir-se para falarmos de xailes e de como podem ser cheios de estilo e modernidade. Três horas, das 15h às 18h, acompanhadas, claro está, de bolo e chá (se calhar gelado, não?) e muitos esquemas e fotos e sugestões e outras coisas mais.

Em maio há celebração, oito anos, oito anos de My Beloved Craft. E vamos também mudar de agulhas, pode ser?

Um bom fim de semana para todos!

unity in diversity

Unity in diversity é a frase que se lê ao fundo e assistir a estes vídeos é ser transportada para esse ideal de liberdade máxima, sermos só um na diversidade, unidos pelo respeito, tolerância e amor.
Eu sou assim complexa, onde há só um vídeo de dança eu vejo logo um mundo mágico onde os  jovens escolhem uma arte para se expressar e ser maior, onde os rapazes não têm de ser másculos e podem mostrar sensibilidade e delicadeza, onde não importam as hierarquias ou posses, onde cada um se sabe transformar pelo belo e só isso importa, preencher cada momento da vida com o melhor que há em nós, nem que por minutos.
Parafraseando o personagem, poesia, música, dança, beleza, romance, amor!… é para isso que nos mantemos vivos!

Procura o que te mantém vivo!

prática perfeita




Nada se aprende num dia.
Mesmo o talento precisa de prática. A perfeição chega com a perseverança, com o erro, com pequenas conquistas. E ainda assim nunca se chega ao fim, há sempre o que aprender. Mas é este processo contínuo de aprendizagem, de aperfeiçoamento que nos cativa. É esta conquista permanente que faz crescer o amor por um ofício.  E é apoiada nesta certeza que a primeira coisa que digo a quem comigo quer aprender a fazer crochet é que não vão sair de um workshop a saber fazer crochet, nem provavelmente o saberão dali a uma semana ou mês. Tudo o que vão conseguir é aperfeiçoar a forma de pegar a agulha, a forma de lidar com a linha nos dedos, conseguir quase a mesma tensão em todas os pontos… E isto tudo se perseverarem, se não desistem, se não se sentirem derrotadas por tão simples instrumentos, uma agulha e uma linha.

A exigência é companheira de um mestre.
Não querendo chamar esse título para mim mas sim querendo ser a melhor transmissora de conhecimento que possa ser, tenho-me empenhado em conhecer o que está escrito sobre crochet e seus pontos, as formas de os representar, de os fazer e suas variações, as formas de os chamar. Saber fazer é uma coisa, saber ensinar é outra e não sei o que será mais difícil. Sei que ao ensinar também aprendo e no final de uma aula a minha satisfação é igual à de quem aprendeu.

E se dúvidas haviam fica a constatação: há de facto um vírus que se pega e não nos larga, um vírus chamado “saber fazer”. No final de contas, o que nos satisfaz e realiza é a criação, a obra que nasce das nossas mãos, da nossa criatividade, das nossas concepções, seja em que área for, seja da forma for. O homem é-o pela criação.