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aprender e começar

Aprender é sempre uma boa solução. Seja para matar tempo livre, para quebrar a ansiedade ou para aumentar a auto-estima, aprender é sempre bom.
Desafiada pela minha amiga Patrícia, que queria fazer alguma coisa de diferente com os miúdos nestas férias de Natal, organizei uma oficina de costura cá em casa. A Cláudia foi a escolha óbvia porque está como peixe na água nesta andanças e porque há muito eu mesma queria fazer uma oficina com ela.
Estive com a Cláudia pessoalmente uma vez, há uns 5 anos, e a empatia por ela foi imediata. Desde aí que a nossa relação se dá sobretudo de modo virtual, mas não é uma relação menor, partilhamos muitos pontos de vista e, o que interessa aqui, o gosto pelas manualidades, pelo saber fazer, pela costura. E gosto tanto do seu sempre presente entusiasmo, da boa disposição, da esperança. A Cláudia é uma pessoa da esperança talvez porque trabalha com crianças e conta histórias. Quem conta histórias não perde a esperança.
Aprendi, aprendemos a fazer uma taleiga. A minha pequenina de 5 anos foi aluna atenta e empenhada e já me cobrou uns quantos taleigos desde o dia da oficina, “vamos fazer um saquinho, mamã!”. No meio da azáfama das festas, fiz um muito tosco, mas quis consolidar os passos e assegurar que não me esqueço de nenhum. O próximo será com todo empenho e esmero necessário para um resultado bom. A Patrícia, que não tem máquina de costura, já disse peremptoriamente, “vou comprar uma máquina”. Há quem já esteja à espera de muitas roupinhas de bonecas!
Saímos da oficina cheias de vontade de abraçar esta nova habilidade, este novo saber, com um espírito perfeito para começar o novo ano que aí vem. O espírito próprio dos princípios. Que bom.

É tudo que vos desejo para o vinte vinte, um espírito cheio de vontade de princípios. Entusiasmo, alegria, persistência e a esperança dos dias felizes, como o dia da oficina de costura.

Bom ano 2020!

prática perfeita




Nada se aprende num dia.
Mesmo o talento precisa de prática. A perfeição chega com a perseverança, com o erro, com pequenas conquistas. E ainda assim nunca se chega ao fim, há sempre o que aprender. Mas é este processo contínuo de aprendizagem, de aperfeiçoamento que nos cativa. É esta conquista permanente que faz crescer o amor por um ofício.  E é apoiada nesta certeza que a primeira coisa que digo a quem comigo quer aprender a fazer crochet é que não vão sair de um workshop a saber fazer crochet, nem provavelmente o saberão dali a uma semana ou mês. Tudo o que vão conseguir é aperfeiçoar a forma de pegar a agulha, a forma de lidar com a linha nos dedos, conseguir quase a mesma tensão em todas os pontos… E isto tudo se perseverarem, se não desistem, se não se sentirem derrotadas por tão simples instrumentos, uma agulha e uma linha.

A exigência é companheira de um mestre.
Não querendo chamar esse título para mim mas sim querendo ser a melhor transmissora de conhecimento que possa ser, tenho-me empenhado em conhecer o que está escrito sobre crochet e seus pontos, as formas de os representar, de os fazer e suas variações, as formas de os chamar. Saber fazer é uma coisa, saber ensinar é outra e não sei o que será mais difícil. Sei que ao ensinar também aprendo e no final de uma aula a minha satisfação é igual à de quem aprendeu.

E se dúvidas haviam fica a constatação: há de facto um vírus que se pega e não nos larga, um vírus chamado “saber fazer”. No final de contas, o que nos satisfaz e realiza é a criação, a obra que nasce das nossas mãos, da nossa criatividade, das nossas concepções, seja em que área for, seja da forma for. O homem é-o pela criação.

 

um mais um que são cinco

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Não ando perdida no ócio do último post embora viver a vida lentamente possa parecer preguiça nos dias de hoje. Ando a ver os meus filhos crescer e a ser mãe com eles. A juntar palhas para o ninho ser sempre conforto e segurança, o lugar onde tudo começa, de onde tudo parte.
São tempos diferentes estes, por aqui também. A casa cresceu para dar espaço ao um mais um que são cinco. Está preparada para construir memórias de afectos, os únicos tesouros que se guarda e carrega até ao fim. Um pequeno mundo que esperamos ser capaz de fortalecer e edificar carácteres capazes de entrar em outros pequenos mundos e espalhar a alegria, a felicidade de uma vida simples e serena mas que suporta a força necessária para querer mudar o mundo.
Na serenidade dos dias calmos e simples há mais lugar para a capacidade infantil e magnânima de tudo nos encantar e sorrir. E maravilhoso é encontrar amigos que percebem que  tudo o que nos importa que nos mova é a felicidade de uma tropa chamada carrossel que sobe e desce escadas, salta de sofá em sofá, gritam, cantam, choram mas quase sempre sorriem porque estão seguros nesta modernidade antiga chamada família numerosa. Obrigada a esses que mandam mensagens muito cedo porque não conseguem dormir de coração tão cheio que estão. E não importa com que tipo de amor nem como o vamos encher mas de coração cheio a vida vai quase sempre dando certo. Que não pare de me olhar para pensar e crescer. Que não pare de te olhar para partilhar e construir. É isso aí.

Nas fotografias: Enciclopédia dos Pais Modernos de 1969. Caixa de pequenos novelos com a capacidade de me fascinar sempre que a abro. Sou feita de pequenas maravilhas como este gif que a minha cunhada me mandou por aqui e eu obedeci.

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