Archive / keep thinking

RSS feed for this section

2018, dez anos e outro interesse maior

Acima de tudo, o meu lema foi saber que a força mais poderosa é estar interessado em alguma coisa. Pode ser a Dinastia Ming, o que quer que seja, se estiveres interessado o suficiente para estudar e aprofundar, então não corres perigo. Se te prendes a qualquer coisa – pode ser arqueologia, música, desporto – que seja maior que tu próprio, não corres perigo. O terrível é quando as pessoas se prendem a um nada, ao vazio., George Steiner

 

Estas palavras de George Steiner não suscitam, para mim, qualquer dúvida. Ter um propósito na vida levanta-nos da cadeira, impele-nos à acção, ocupa-nos. É o interesse como mestre da vida, parafraseando Júlio Dinis. Um interesse que pode ser concreto e objectivo mas que, quando genuíno e abnegado,  sempre nos conduz a uma espécie de salvação espiritual.

A My Beloved Craft nasceu desse interesse necessário para o preenchimento dos dias. Veio a possibilidade do comércio, mas nunca evoluiu muito nesse sentido porque, para além da minha falta de jeito (ou vontade) para vender, era um interesse que não se adequava às pressões e obrigações do materialismo. Acima de tudo, persisti pelo gosto de constatar o Belo em cada trabalho de crochet, em cada fotografia que dali surgia. Uma espécie de realização pessoal, também.

Este ano a My Beloved Craft fez dez anos, a marca e o blog, que já foi loja também. E ter um blog com dez anos é motivo de orgulho, não desmesurado, mas algum orgulho, o suficiente para não deixá-lo morrer e ao fim de mais de um ano vir aqui assinalar o número 2018 na lista dos anos.

A razão pela qual este ano, que deveria ser de grande actividade comemorativa, fosse a copiar as modas efusivas das redes, o blog esteve hibernado foi terem surgido outros projectos, outros interesses que são, neste momento, maiores que o blog e o crochet. Prioridades que se estabelecem quando se aceitam as 24 horas do dia, um modo de ser e o facto de ter três filhos, não os querer perder de vista e ser activa na sua educação.

Assim, e não sabendo com que linhas se fará o futuro, mas querendo que ele tenha memória, virei aqui sempre que o espírito bloguista pairar sobre a minha cabeça e o bichinho das agulhas morder os dedos.

E, sendo próprio da época, desejo a todos a possibilidade da descoberta de um interesse maior, regenerador e edificante neste novo ano que aí vem. Descoberta, palavra bonita que nos diz que tudo já existe, só temos de saber des-tapar.

Bom ano para todos.

 

felicidade na urban jungle




A felicidade não é fácil de conseguir, é muito difícil encontrá-la em nós, e é impossível encontrá-la fora de nós.
Chamfort

Andamos todos à procura do mesmo ou a viver com o mesmo objectivo, ser feliz.
E não é essa a melhor meta para a qual correr?
Também sabemos que a felicidade não está nessa meta mas no percurso que fazemos, em toda a caminhada que colhe pequenos feitos, conquistas, afectos e vivências.
Mas, então, porque continuam os dias a escorrer das mãos, perdendo essa matéria fina e escorregadia de que é feita a felicidade, a constatação do simples? Está a felicidade apenas na gratidão de cada dia? Estou certa que sim, também. Também? Sim, também porque, o lado prático da felicidade é que ela deve ser um acto consciente. Se sabemos o que nos faz feliz, ou se já sabemos o que nos faz feliz, não deveremos recorrer mais amiúde a essas ferramentas de felicidade?

Fica aqui o tema para desenvolvimento próprio, suas constatações e auto-análises.

Plantas. Plantas da minha felicidade.
Se estou em modo lunar, elas são um bom saco de porrada. Regar, cuidar, tocar, olhar. Demorar em cuidados e fotografias e o dia já está ganho. Se estou mais solar que o próprio sol são também elas a boa desculpa para ser displicente com tudo o resto.  Alegro-me, por isso, saber que viraram moda e perco-me vendo tantas fotografias de casas apinhadas de plantas que se enquadram na maravilhosa hashtag #urbanjungle. É como se encontrasse uma linguagem comum nos quatro cantos do mundo, afinal nada de que já não estivesse intrínseco em cada um de nós, o apelo telúrico da mãe natureza. À multiplicação feita em frascos com os pequenos rebentos juntam-se sempre novas plantas que teimam em chamar por mim como que asfixiadas nas lojas, a implorar amor, obrigando-me lentamente a ser uma plant hoarder digna de muitos repins no pinterest. Não digo que vá chegar a maravilhosos exageros vistos no instagram mas não prometo não pendurar uma enorme monstera no tecto do meu quarto. É que neste ítem de felicidade não sou só eu a por um visto, o marido também.

E se à selva nos liga um cordão umbilical, criar uma em nossa casa é efectivamente um passo para a pacificação do espírito que quer sempre a serenidade de um colo de mãe. A mãe natureza.

em tempo real

postais1_mybelovedcraft postais2_mybelovedcraft postais3_mybelovedcraft postais4_mybelovedcraft

Não sou nada dada a saudosismos ou à costumeira lamentação no-meu-tempo-é-que-era mas ontem passei um bom bocado ao reler uma data de postais do século passado. Do século passado.
Claro que não me deu para ir buscá-los porque estava com muitas saudades de amigos da juventude mas até acabei porque ganhá-las e ficar com o tal no-meu-tempo-é-que-era na boca… Enfim.
O que tentei fazer foi explicar ao meu filho o que era um postal, tinha de escrever um como trabalho de casa, e o que acabei por conseguir foi receber um olhar de perplexidade e quase pena, “e ficavas à espera uma semana para saber por onde andavam os teus amigos?!”

Em vinte anos tudo mudou. Parece tão remota a ideia de não haver telemóveis ou internet. Ao olhar do meu filho, que me atribuiu uma idade perto da jurássica, o que penso é que é preciso andar, não ficar parado e processar rapidamente para se entender e aceitar uma nova era em que tudo é questionado e reinventado.
Se em família se faz caminho devagar, fora é preciso saber apanhar o comboio que não pára e ainda carregar o que acreditamos estar certo e escolher o caminho que vai dar certo. Sem o conhecer.
São extraordinários estes tempos. Se o conseguirmos passar até ao fim vamos ter muito que contar. Estamos a viver um manual inteiro de história universal.

Cheguei ainda à conclusão que os postais vindos de Amesterdão são os mais bonitos, que tinha amigos com lápis azul mas todos com muito sentido de humor e o Cais do Rock como qualquer festival de topo tinha o seu postal. Éramos uns postais, nunca cromos.

 


Fatal error: Uncaught exception 'wfWAFStorageFileException' with message 'Unable to verify temporary file contents for atomic writing.' in /home2/karlosmg/public_html/mybelovedcraft.com/blog/wp-content/plugins/wordfence/vendor/wordfence/wf-waf/src/lib/storage/file.php:47 Stack trace: #0 /home2/karlosmg/public_html/mybelovedcraft.com/blog/wp-content/plugins/wordfence/vendor/wordfence/wf-waf/src/lib/storage/file.php(650): wfWAFStorageFile::atomicFilePutContents('/home2/karlosmg...', '<?php exit('Acc...') #1 [internal function]: wfWAFStorageFile->saveConfig('livewaf') #2 {main} thrown in /home2/karlosmg/public_html/mybelovedcraft.com/blog/wp-content/plugins/wordfence/vendor/wordfence/wf-waf/src/lib/storage/file.php on line 47