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apologia ao ócio

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Férias é um estado de espírito e não é por estas se terem acabado que o vamos perder. Cultivar o ócio ajuda a aligeirar os dias e até a compreendê-los melhor. Parados damos tempo à calma, a melhores pensamentos, a melhores ponderações, o trabalho que se segue até se desenrola melhor porque parados conseguimos libertar desconfortos presos à rotina diária do ter que fazer.
A sabedoria habita um corpo parado e deve ter sido por isso que António Alçada Baptista muitas vezes repetiu “devo o que sou ao ócio”.
Ler a Apologia ao Ócio de Robert Louis Stevenson pode ser uma ajuda para melhor compreender quem nos dias de hoje se atreve a tal estado do corpo e da alma porque em 1877, data desta apologia, há 140 aproximadamente, já a sociedade vinha na senda dos famigerados workaholics.

Entre um pensamento e outro vai-se trabalhando, voltando a velhos trabalhos, ensaiando outros novos e congelando alguma beleza em fotografias.

E posto isto, diz que na Suécia, esse país de malandros, a jornada de trabalho foi diminuída para 6 horas tendo-se chegado à evidente evidência que a produtividade aumentou…..

Um bom fim de semana para todos!

o que vem da terra

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Lindos. Deliciosos. Vindos da terra. Vindos da dedicação de quem sabe que ver crescer é uma benção. Ou não sabe. Mas fala como se cada legume vindo no cabaz fosse uma peça delicada a ser tratada com carinho.
Todas as semanas batem-nos à porta os legumes que comemos, vindos directamente do agricultor. Há de tudo, de tudo o que a época permite e a extensão do terreno acolhe. Cada legume diferente do costume é entusiasticamente anunciado, os novos são sempre bem vindos como sangue novo que anima a lida.
No cabaz há o tradicional, couve coração, alface, courgette, tomates, pepinos, pimentos e até beringelas. As cenouras, cebolas e batatas, claro! Mas menos regular, e por isso com atenção especial, os agriões, chicória, rúcula, rábano, rabanetes ou pimentos padrão. Na altura, abóbora, penca e “couve para o caldo verde”. E brócolos!! Ah, o que eu gosto de brócolos!
Falta cogumelos… vou-lhe falar de cogumelos, estará interessada?
E porque as coisas boas são para anunciar, na rua onde moro todos os vizinhos (não são muitos eu sei) aderiram ao cabaz e agora todas as segundas à noite há a certeza de uma semana cheia de comida saudável, fresca e linda.
Todos compramos directamente ao produtor.
Todos fazemos uma pequena revolução.

doce micá

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A Micá é que sabe.
Aquele cantinho é o paraíso, o lugar perfeito para, em sossego de focinho pousado descansado, ver o rebuliço de três crianças que sem o saber têm a sorte dos dias felizes. Eu que sou grande já sei a sorte que tenho e também é meu este cantinho que vou transformando em paraíso feito jardim de sonhos e risos, danças e música, beijos e abraços.

É deixá-los crescer devagar como o olhar da Micá.
Meigos como a doce Micá.


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