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tutorial do XAILE SIMPLES

Este é o mesmo desenho do xaile do post anterior, mas feito com uma linha mais grossa, a tal que nos dá a vantagem de conseguir fazer uma peça num dia. E num dia este xaile foi feito, mesmo a tempo de o estrear num jantar de aniversário. Como já referi num post antigo (2013!!), são vantagens de “saber fazer”.

Também no post anterior, partilhei o esquema feito por mim deste simples xaile, mas deixo agora o tutorial, passo a passo, carreira a carreira. Julgo que com as indicações escritas e as fotografias será fácil de seguir. É mesmo simples. Fácil para quem se inicia no crochet ou para quem, simplesmente, quer um xaile rápido de se fazer. Um bom esquema para um primeiro xaile.

Bom trabalho!

TUTORIAL XAILE SIMPLES

Abreviaturas e termos:
Ponto Cadeia: pc; Ponto Alto: pa; Ponto Baixo: pb;
Cordão: conjunto de pontos cadeia; Leque: conjunto de 2pa+1pc+2pa
Desenho deste esquema: conjunto de 4 leques que formam um losango

carreira 1: 8pc seguido de 1pa dado no primeiro pc feito.

carreira 2: vira o crochet; 8 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1pa dado no 3º pc do início da carreira abaixo.

carreira 3: vira o crochet; 8 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 1 leque dado no pb da carreira abaixo, seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pa dado no 3º pc do início da carreira abaixo.

carreira 4: vira o crochet; 8 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 1 leque dado no pb da carreira abaixo, seguido de 1 pb dado no pc do leque da carreira abaixo; 1 leque dado no pb da carreira abaixo, seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pa dado no 3º pc do início da carreira abaixo.

carreira 5: vira o crochet; 8 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pb dado no pc do leque da carreira abaixo; 1 leque dado no pb da carreira abaixo, seguido de 1 pb dado dado no pc do leque da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pb dado no cordão da carreira abaixo; 5 pc seguido de 1 pa dado no 3º pc do início da carreira abaixo.

carreira 6: uma carreira só de pc para isolar o desenho – 5 pc seguido de 1 pb dados nos respectivos sítios da carreira abaixo.

carreira 7: terminado um desenho, feita a carreira só de cordão, inicia-se um novo conjunto de desenhos. Os desenhos de uma carreira intervalam com os da anteriores.

carreira 12: para exemplo de como vai crescendo o crochet, avançamos para a carreira nº12, onde vemos a alternância dos desenhos e como em cada carreira vai surgindo mais um, e só um, conjunto de leques.

 

slow crochet

Da linha grossa à linha fina vai a distância da perseverança. Com a primeira depressa chegamos ao destino, à peça concluída. Com a segunda tudo é devagar, mas tudo é mais gratificante porque nos superamos a cada volta que concluímos. Uma define o comum, a outra o trabalhoso, o dedicado e o delicado. Não se faz uma peça de crochet em linha 12 ou 20 num dia. O trabalho é mais atento, é preciso mais cuidado com a agulha, os olhos trabalham mais. Vemos o novelo com uma duração quase infinita e o crescimento quase nulo do crochet que vai saindo da agulha. Mas sabemos que a peça final será linda e de valor inestimável, por isso persistimos. Com esta linha mais fina, diz a tradição, faz-se (fazia-se?) peças essencialmente decorativas. Quem as faz é para si ou para oferecer, raramente para vender porque nunca será bem pago.
Numa altura em que o crochet que faço é, precisamente, para consumo interno, é a este crochet que me tenho dedicado, ao lento, ou, apropriando-me de termos modernos, ao slow crochet. Estou a fazer um xaile em linho para o próximo verão. Já o imagino, tão lindo que vai ficar! O esquema tirei-o deste livro , adaptando-o para o modelo triangular de um xaile. É simples, mas nesta primeira tentativa não quis abusar entrando num intrincado esquema que me vencesse. E simples é sempre uma boa solução.

2018, dez anos e outro interesse maior

Acima de tudo, o meu lema foi saber que a força mais poderosa é estar interessado em alguma coisa. Pode ser a Dinastia Ming, o que quer que seja, se estiveres interessado o suficiente para estudar e aprofundar, então não corres perigo. Se te prendes a qualquer coisa – pode ser arqueologia, música, desporto – que seja maior que tu próprio, não corres perigo. O terrível é quando as pessoas se prendem a um nada, ao vazio., George Steiner

 

Estas palavras de George Steiner não suscitam, para mim, qualquer dúvida. Ter um propósito na vida levanta-nos da cadeira, impele-nos à acção, ocupa-nos. É o interesse como mestre da vida, parafraseando Júlio Dinis. Um interesse que pode ser concreto e objectivo mas que, quando genuíno e abnegado,  sempre nos conduz a uma espécie de salvação espiritual.

A My Beloved Craft nasceu desse interesse necessário para o preenchimento dos dias. Veio a possibilidade do comércio, mas nunca evoluiu muito nesse sentido porque, para além da minha falta de jeito (ou vontade) para vender, era um interesse que não se adequava às pressões e obrigações do materialismo. Acima de tudo, persisti pelo gosto de constatar o Belo em cada trabalho de crochet, em cada fotografia que dali surgia. Uma espécie de realização pessoal, também.

Este ano a My Beloved Craft fez dez anos, a marca e o blog, que já foi loja também. E ter um blog com dez anos é motivo de orgulho, não desmesurado, mas algum orgulho, o suficiente para não deixá-lo morrer e ao fim de mais de um ano vir aqui assinalar o número 2018 na lista dos anos.

A razão pela qual este ano, que deveria ser de grande actividade comemorativa, fosse a copiar as modas efusivas das redes, o blog esteve hibernado foi terem surgido outros projectos, outros interesses que são, neste momento, maiores que o blog e o crochet. Prioridades que se estabelecem quando se aceitam as 24 horas do dia, um modo de ser e o facto de ter três filhos, não os querer perder de vista e ser activa na sua educação.

Assim, e não sabendo com que linhas se fará o futuro, mas querendo que ele tenha memória, virei aqui sempre que o espírito bloguista pairar sobre a minha cabeça e o bichinho das agulhas morder os dedos.

E, sendo próprio da época, desejo a todos a possibilidade da descoberta de um interesse maior, regenerador e edificante neste novo ano que aí vem. Descoberta, palavra bonita que nos diz que tudo já existe, só temos de saber des-tapar.

Bom ano para todos.