Archive / Maio, 2008

António Alçada Baptista

“…gosto de ti porque és minha irmã da seita do sonho..”, in O Riso de Deus
ou
“…o afecto é o nosso destino…”, in O Riso de Deus
ou ainda
“- o mundo é tão bonito!
Eu comentei:
– O que faz o isto bonito está dentro de nós!…
…É tão fácil ser feliz! São precisas tão poucas coisas!… É só um exercício da nossa capacidade de amar… viver é capaz de ser uma educação de sentimentos…”, in Catarina ou o Sabor da Maçã

São trechos como estes que fazem de António Alçada Baptista, o meu muito querido escritor! Desde as primeiras frase que li da sua escrita que ele me cativou, entrou em mim como algo sempre luminoso e fresco! Talvez pela sua maneira de ver o mundo, as palavras simples que usa, a maneira como fala do amor ou talvez, como explicaria alguém confiante na astrologia, faça parte do mesmo eixo do meu signo!
De tempos a tempos lá volto eu a folhear os seus livros, a reler algumas partes. Lê-lo dispõe-me bem, renova a minha esperança. A minha esperança nos homens, na vida, no mundo. Sinto que é um homem que vê a vida com os olhos da serenidade e com a felicidade do amor simples. O amor basta. Saber amar basta. Quem tem amor, quem conhece o amor, quem sabe amar já tem a vida na sua plenitude. É feliz.

“Quem pressente que não foi para a normalidade que nascemos não pode conformar-se, tem de tentar descobrir outra vida e dizer aos outros como ela é.”, in O Riso de Deus

Crise, crise, crise

Crise, crise, crise
Ah…
Crise é a fome, a sede
Dos meninos nus, desamparados!
Crise é a dor
Do sangue que corre
Na cara de uma mulher,
Homem.
Ignorância.
Instinto básico.
Crise é a terra tremer,
A chuva cair,
O mar avançar
Até aos limites do castigo
Da raiva
Sobre-humana.
Crise é o poder, o estatuto
Crise é a opressão, prisão.
Crise somos nós
Fechados
No conforto do macio
Bonito
Bem feito
Limpo
Crise…

Maio, 2008