Archive / Julho, 2008

A Vida É Breve

“Mas esta vida é tão breve! Não podemos ter a veleidade de emitir qualquer condenação sobre o amor. Devemos viver primeiro, Aurélio, e filosofar depois.”

Ontem à tarde li este livro, A Vida É Breve. É daqueles livros fáceis e rápidos de ler mas que demoram no pensamento e ficam na memória.
Um romance que nos dá matéria para uma boa conversa, uma interessante discussão.
Jostein Gaarder, conhecedor da bibliografia de santo Agostinho, ficciona uma carta da mulher que viveu com este homem antes da sua conversão à religião cristã.
Dá-nos uma história bonita de amor que a dada altura é interrompida bruscamente por dúvidas entre o bem e o mal, entre o amor carnal e o divino, entre o pecado e a graça.
É um romance que nos aguça a curiosidade para saber mais sobre esta importante fase (séc. V) da história humana. Fase em que se dá a mudança da antiga cultura greco-romana para a cultura cristã dos nosso dias.
Ficou-me no pensamento, também, como esta cultura cristã, que cresceu segundo os seus teólogos, demasiadamente apoiada no pecado e na alegoriade de Adão e Eva, terá diminuido e afastado a mulher da cultura, da sociedade, da própria igreja, do mundo…

“Tenho medo, Aurélio.Tenho medo do que os homens da Igreja possam fazer a mulheres como eu. Não pelo facto de sermos mulheres, mas porque Deus criou-nos assim, e porque assim seduzimos os homens, tal e qual Deus os criou. Julgarás tu por acaso que Deus prefer os eunucos e os castrados aos homens que amam uma mulher? Louva a obra da Criação de Deus.”

Deve ser do Grunge…

Diz-se que é na adolescência que começamos a identificar-nos como pessoas, a ter noção do eu pensante. Na juventude já temos opiniões e certezas de tudo. Por isto, ficamos marcados para a vida pela maneira como vivemos esta fase da vida, as escolhas que fazemos, os amigos que escolhemos, a direcção que tomamos. E quando se diz “eu sou do tempo”, “no meu tempo”, é a esta fase que nos referimos (apesar do nosso tempo ser todo o tempo de vida…).
Ora, eu sou do tempo do grunge. Dos Nirvana. Do ar desmaselado, cabelo ao acaso, roupa gasta até ao último fio.
Estava a olhar para a minha mochila que já dá mostras de muito uso e muito sol e veio-me ao pensamento tudo isto. É que ao olhar para a mochila fiquei contente por ela estar gasta! E pensei: “gastei-a até ao fim”.
Tenho este gosto de usar tudo até ao fim, de ver o tempo passar pelas coisas. Dá-me a sensação de dever cumprido, a sensação do terminado.
Deve ser do grunge….

Inferno de Olga Roriz

Foi à duas semanas que assisti à estreia do novo bailado de Olga Roriz, Inferno, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.
Segundo Olga Roriz “neste espectáculo o pecado não é punido. A maldade não é punida. A fraqueza também não. “Inferno” é um caminho interior e iniciático, polvilhado de tristezas, ironias e reconciliações.”
É um espectáculo com humor mas também de ironia e reflexão da sociedade. Os bailarinos são mais do que bailarinos e dão-nos um espectáculo de canções e representações. Não é um espectáculo para amantes somente da dança mas para quem percebe que através do corpo se pode transmitir uma mensagem, uma filosofia, um princípio de um pensamento.

Queria poder partilhar este magnífico espectáculo com quem lá não esteve e é apreciador do trabalho desta grande coreógrafa. Esperei por possíveis vídeos no Youtube mas não apareceu nada..
Fica um pequeno vídeo do anterior trabalho que está na sequência deste bailado/musical/teatro, Paraíso.