Archive / Outubro, 2008

glicínia em bonsai

Foi há cerca de 15 anos que vi pela primeira vez um bonsai, quando recebi de um amigo um bonsai de um ficus como presente de aniversário. Bonsai é uma palavra japonesa que significa árvore numa bandeja e é impossível não achar maravilhosa esta arte que surgiu na China.
É mais um exemplo do culto da paciência e perserverança que as culturas orientais nos ensinam.
Sempre que vejo uma fotografia destas árvores em miniatura fico com vontade de me iniciar nesta arte mas é preciso espaço, tempo, muita dedicação, algum dinheiro extra para os vasos, que geralmente são muito caros, e para os instrumentos de poda, que têm de ser os adequados e bons, afinal a poda é que torna estas plantas verdadeiras esculturas. E acima de tudo é preciso saber esperar porque as belas fotografias que nos aguçam a vontade mostram-nos anos e anos de paciência, podas, cuidados múltiplos e visão daquilo que queremos que a nossa planta se venha a tornar.
Um bonsai pode-se criar a partir de sementes, o que o torna valiosíssimo dado que os anos necessários para se tornar numa planta adulta e bonita são muitos mais que os necessário quando se fazem enxertos ou quando se vai à natureza buscar plantas já grandes e através de podas e de arames se consegue as belas miniaturas.
Na net, podemos ver um sem número das belas fotografias que cada bonsai proporciona. Eu escolhi esta de uma Glicínia, uma trepadeira vulgaríssima que se vê em tudo que é muro mas que a arte do bonsai a tornou numa bela obra de arte.

As Palavras Dos Poetas

As palavras dos poetas parecem diferentes. São as mesmas, mas são diferentes. Não são básicas nem simples ou vazias. Juntam-se como que por magia e formam versos impensáveis de tão simples e claros. Não são notas musicais mas fazem música, melodiosa, harmoniosa. As palavras dos poetas põe-me assim… com o pensamento vago, sereno…
Mesmo triste, melancólico e final, não é lindo este poema de Eugénio de Andrade?

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquina
sem esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

massa para quiche

Ontem, decidi fazer uma quiche e como não tinha no frigorífico a prática massa tenra pronta a usar, que se compra em hipermercados, decidi meter a mão na massa! Mas que satisfação! Acabei por fazer massa para uma meia dúzia de quiches. Ainda estive um certo tempo às voltas na cozinha e no final estava cansada, por não estar habituada, mas essencialmente satisfeita. Mas este é só o lado prático da quiche. A minha quiche de bróculos levou a uma sucessão de pensamentos…
O mundo ocidental atingiu uma qualidade de vida com bastante conforto para todos e estamos de tal maneira habituados a esse conforto que não nos damos conta de como seria não ter disponível tudo o que temos. Acabamos por reclamar o que não temos e esquecemo-nos de agradecer o que já possuímos. Mas a ideia principal que povou a minha cabeça foi mais ecológica. Pensando bem no enorme consumo que fazemos diariamente, há certas coisas que seriam bem desnecessárias não fosse a nossa preguiça (um mal que veio colado à qualidade de vida…). No mundo diário da nossa cozinha utilizamos inúmeros produtos embalados que são práticos e rápidos mas que em nada contribuem para a prática da reciclagem e de uma vida sustentável. Ao confeccionar a massa em casa poupei recursos materiais, protegendo o meio ambiente, poupei a minha saúde, uma vez que a minha massa não tinha sal nem conservantes e disfrutei de um tempo bastante nutritivo para o espírito!
Resumindo, só encontrei vantagem em ter vestido o avental da perfeita dona de casa: diminuí o meu consumo e aumentei a minha saúde. E há sempre tempo para uma cozinha saudável e ecológica, é uma questão de organização e prática.