Archive / Novembro, 2016

em tempo real

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Não sou nada dada a saudosismos ou à costumeira lamentação no-meu-tempo-é-que-era mas ontem passei um bom bocado ao reler uma data de postais do século passado. Do século passado.
Claro que não me deu para ir buscá-los porque estava com muitas saudades de amigos da juventude mas até acabei porque ganhá-las e ficar com o tal no-meu-tempo-é-que-era na boca… Enfim.
O que tentei fazer foi explicar ao meu filho o que era um postal, tinha de escrever um como trabalho de casa, e o que acabei por conseguir foi receber um olhar de perplexidade e quase pena, “e ficavas à espera uma semana para saber por onde andavam os teus amigos?!”

Em vinte anos tudo mudou. Parece tão remota a ideia de não haver telemóveis ou internet. Ao olhar do meu filho, que me atribuiu uma idade perto da jurássica, o que penso é que é preciso andar, não ficar parado e processar rapidamente para se entender e aceitar uma nova era em que tudo é questionado e reinventado.
Se em família se faz caminho devagar, fora é preciso saber apanhar o comboio que não pára e ainda carregar o que acreditamos estar certo e escolher o caminho que vai dar certo. Sem o conhecer.
São extraordinários estes tempos. Se o conseguirmos passar até ao fim vamos ter muito que contar. Estamos a viver um manual inteiro de história universal.

Cheguei ainda à conclusão que os postais vindos de Amesterdão são os mais bonitos, que tinha amigos com lápis azul mas todos com muito sentido de humor e o Cais do Rock como qualquer festival de topo tinha o seu postal. Éramos uns postais, nunca cromos.

 

um mais um que são cinco

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Não ando perdida no ócio do último post embora viver a vida lentamente possa parecer preguiça nos dias de hoje. Ando a ver os meus filhos crescer e a ser mãe com eles. A juntar palhas para o ninho ser sempre conforto e segurança, o lugar onde tudo começa, de onde tudo parte.
São tempos diferentes estes, por aqui também. A casa cresceu para dar espaço ao um mais um que são cinco. Está preparada para construir memórias de afectos, os únicos tesouros que se guarda e carrega até ao fim. Um pequeno mundo que esperamos ser capaz de fortalecer e edificar carácteres capazes de entrar em outros pequenos mundos e espalhar a alegria, a felicidade de uma vida simples e serena mas que suporta a força necessária para querer mudar o mundo.
Na serenidade dos dias calmos e simples há mais lugar para a capacidade infantil e magnânima de tudo nos encantar e sorrir. E maravilhoso é encontrar amigos que percebem que  tudo o que nos importa que nos mova é a felicidade de uma tropa chamada carrossel que sobe e desce escadas, salta de sofá em sofá, gritam, cantam, choram mas quase sempre sorriem porque estão seguros nesta modernidade antiga chamada família numerosa. Obrigada a esses que mandam mensagens muito cedo porque não conseguem dormir de coração tão cheio que estão. E não importa com que tipo de amor nem como o vamos encher mas de coração cheio a vida vai quase sempre dando certo. Que não pare de me olhar para pensar e crescer. Que não pare de te olhar para partilhar e construir. É isso aí.

Nas fotografias: Enciclopédia dos Pais Modernos de 1969. Caixa de pequenos novelos com a capacidade de me fascinar sempre que a abro. Sou feita de pequenas maravilhas como este gif que a minha cunhada me mandou por aqui e eu obedeci.

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