o crochet da avó, o crochet da mãe

Tenho 42 anos e por todos estes anos vi, não, vejo a minha mãe sempre dedicada ao seu crochet. Nunca a vi sentada no sofá sem fazer nada, aliás, raramente a vejo sentada num sofá. Sempre sentada à mesa, de agulha e linha na mão seguindo um esquema de uma revista, da “revista azul”. Abertos e fechados, abertos e fechados. Aranhas e ponto cruzado.  Conjuntos de quarto, naperons, toalhas de camilha, toalhas de mesa, colchas, bicos para cortinas, panos de cozinha. Branco e cru, não bege, cru. Branco e cru, sempre.
No meio deste reportório, lembrava-me de a ver  fazer umas almofadas em forma de coração para quartos de casais em lua-de-mel. Uma piroseira. Mas, porque não para quartos de meninas pequeninas dadas aos corações? Pensei, eu. Foi o que lhe pedi, para ressuscitar esse modelo antigo e fazê-lo para a sua neta, num lindo cor-de-rosa vintage, numa linha antiga vinda do antigo armazém das linhas Âncora. O resultado é o que vêem na fotografia. A neta adorou e eu abandonei a ideia de piroseira.  Numa decoração simples fica bem, denota esmero, cuidado. Uma reminiscência de outros tempos. No contexto certo, a almofada é linda.
Outro pedido, também já satisfeito, foi o naperom (este nome….) para a minha mesa de jantar. Outra piroseira, achava eu há uns tempos atrás. Mas o meu seria verde, verde escuro. “Verde?! Para a sala?!” Pois, e porque não? Verde, a cor que deu modernidade a uma peça que em branco só estaria bem na casa da avó ou num apartamento kitsch.
Lindos revivalismos que aconchegam a casa com memórias e afectos.