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prática perfeita




Nada se aprende num dia.
Mesmo o talento precisa de prática. A perfeição chega com a perseverança, com o erro, com pequenas conquistas. E ainda assim nunca se chega ao fim, há sempre o que aprender. Mas é este processo contínuo de aprendizagem, de aperfeiçoamento que nos cativa. É esta conquista permanente que faz crescer o amor por um ofício.  E é apoiada nesta certeza que a primeira coisa que digo a quem comigo quer aprender a fazer crochet é que não vão sair de um workshop a saber fazer crochet, nem provavelmente o saberão dali a uma semana ou mês. Tudo o que vão conseguir é aperfeiçoar a forma de pegar a agulha, a forma de lidar com a linha nos dedos, conseguir quase a mesma tensão em todas os pontos… E isto tudo se perseverarem, se não desistem, se não se sentirem derrotadas por tão simples instrumentos, uma agulha e uma linha.

A exigência é companheira de um mestre.
Não querendo chamar esse título para mim mas sim querendo ser a melhor transmissora de conhecimento que possa ser, tenho-me empenhado em conhecer o que está escrito sobre crochet e seus pontos, as formas de os representar, de os fazer e suas variações, as formas de os chamar. Saber fazer é uma coisa, saber ensinar é outra e não sei o que será mais difícil. Sei que ao ensinar também aprendo e no final de uma aula a minha satisfação é igual à de quem aprendeu.

E se dúvidas haviam fica a constatação: há de facto um vírus que se pega e não nos larga, um vírus chamado “saber fazer”. No final de contas, o que nos satisfaz e realiza é a criação, a obra que nasce das nossas mãos, da nossa criatividade, das nossas concepções, seja em que área for, seja da forma for. O homem é-o pela criação.

 

flores caídas, a yarn bomb!

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Yarn Bomb_Cartaz

Desde o último post até este tudo o que se passou está nestas fotografias.  Foram 5 semanas de muito trabalho e de uma grande vontade de corresponder à confiança que a direcção do Cine-Teatro Garret depositou em mim tendo apenas como referência a Yarn Bomb Para o dia da Mãe e o meu site. Não me conheciam de mais lado nenhum mas quiseram que eu fizesse parte da sua comemoração do II Aniversário do Cine-Teatro Garrett.

Em conjunto, e sabendo que o tema seriam as flores, idealizamos a ideia de flores caindo das varandas como uma qualquer planta natural que embeleza tantas outras varandas. Daí para a frente coube-me a mim projectar a ideia para o espaço, estudar a melhor maneira de conceber a yarn bomb e meter mãos à obra sem parar porque o tempo já estava a contar e era pouco.

Foram precisas 170 meadas de fio de algodão, 35 quilos de fio! Foram usadas 12 cores diferentes, 8 para as flores e 4 para os caules. Não as contei mas estimo que estejam na yarn bomb cerca de 2500 flores, cerca de 70 horas só a fazer flores (contando como se uma máquina as fizesse!), mais umas quantas para os caules, outras tantas para atar as flores…. Bem, muitas horas para preencher um total de 14 metros de varandas e janelas!

Conforme o trabalho ia sendo feito mil ideias enchiam a minha cabeça, um jardim do Éden crescia na vertical, cheio de flores, folhas, pássaros, borboletas, lianas, baloiços com fadas…. mas o tempo não permitia devaneios artísticos. Mas os pássaros, ah sim, esses iam aparecer na instalação, os pássaros da minha amiga Paula tinham que arrulhar naquelas varandas.

Tudo o que está ali foi o resultado de toda a dedicação e trabalho possíveis num espaço de tempo tão apertado mas que me deixa contente, embora….. Sim, sim, eu sei…

Passada a euforia dos primeiros dias, agradeço o voto de confiança que me deram e a simpatia com que toda a equipa do cine-teatro me acolheu. Vamos voltar a trabalhar juntos, não vamos?

Agradeço ainda a toda a minha família pelo apoio incondicional, é que uma mãe tendo o trabalho que tiver em mãos nunca deixa de ser mãe e dona de casa e com o apoio da família consegui deixar de ser dona de casa por um mês.

Dia 14, dia oficial do aniversário do Cine-teatro Garrett, vou lá estar a ensinar crochet a quem quiser aprender.

Dia 18, Dia Mundial de Tricotar/Crochetar em Público, também lá estarei para o que der e vier, ensinar, conversar, crochetar e conto com todos para esta grande festa das agulhas!!

Passem pelo Garrett, tirem muitas fotos e partilhem a beleza do nosso cine-teatro por essa web fora ( #mybelovedcraft #cineteatrogarrett #yarnbomb #pvz #laramafalda ).

Obrigada, muito obrigada!!

manta Vasco

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Eu sei que este post deveria ter sido sobre crochet antigo, aquele que atravessa gerações mas as mantas aqui apresentadas podem muito bem vir a ser uma dessas peças que povoam as nossas memórias e fazem parte do que somos.
No início do ano passado tinha decidido fazer uma manta para cada filho e comecei pela da menina. E… continua um trabalho, como dizem os ingleses, in progress.
Mas o ano não acabou sem que, entusiasmada por um ponto aprendido no youtube, me iniciasse na manta para o rapaz mais velho. E como comecei acabei, num instante, num acto de quase fúria, obsessão. Um outro ano tinha começado e já duas mantas estavam feitas.
Para grande desgosto da mãe o filho não gostou das cores mas a culpa não é dele mas do seu daltonismo e só por isso o desculpo de tão seco “não gosto” que tive de ouvir. As cores estão muito bem e são para rapaz e não de menina!, como ele diz. “Não faz mal, fica para o teu irmão”, diz a mãe amuada. “Eu góto mamã, é muito linda”, diz o outro marcando pontos.
Bem, feitas as mantas, uma vai estar à venda e vai se chamar Vasco. Como comecei por dizer, estas mantas são peças de grande valor não só pelo seu trabalho (de dias) mas por toda a carga afectiva que pode vir a carregar e pelos anos que pode vir a contar ao lado da pessoa que se queira mimar debaixo do peso da quentinha lã com que é feita. Passe na loja e veja a manta e os outros artigos que lá estão à espera de um dono que goste de coisas feitas com amor. Os pagamentos são por multibanco. Se tiver dúvidas não hesite em falar comigo lara@mybelovedcraft.com

Ah! Um bom ano para todos. Tentar ser melhor são as minhas resoluções para este ano. E já não é pouco. E já não é fácil.
Abraços!